A tentação Guiana

O Brasil também teve sua tentação imperialista. Um de seus presidentes quis anexar um país vizinho, como conta a excelente entrevista de Geneton Moraes Neto ao general Moura Cavalcanti, originalmente publicada no livro Dossiê Brasil e disponível no blog do repórter.
Segue um trecho e o link:

DELÍRIOS NO PLANALTO CENTRAL DO BRASIL : O DIA EM QUE UM PRESIDENTE BRASILEIRO QUIS ANEXAR UM VIZINHO!
Postado por Geneton Moraes Neto em 22 de fevereiro de 2010 às 17:13

A crise institucional aberta pela renúncia do presidente Jânio Quadros terminou frustrando um plano que, se executado, ganharia, com certeza, um lugar de destaque numa antologia mundial dos desvarios politicos : o presidente queria anexar a Guiana Francesa ao território brasileiro, numa operação militar de surpresa – uma investida no estilo da frustrada anexação das Ilhas Malvinas pela Argentina, em 1982.
A invasão das Malvinas deflagrou uma guerra entre Inglaterra e Argentina. Qual teria sido a reação internacional a uma aventura expansionista brasileira na Guiana Francesa ? Jânio Quadros chegou a convocar, para uma audiência secreta em Brasília, o governador do Amapá, Moura Cavalcanti, um político que, anos depois, durante os governos militares, ocuparia o Ministério da Agricultura do general Garrastazu Medici e o governo de Pernambuco, por eleição indireta.

Moura Cavalcanti estava disposto a cumprir a surpreendente determinação do presidente: afinal, tinha sido nomeado para o cargo de governador do Amapá pelo próprio Jânio Quadros. Ordens sao ordens.
Alem de dar a ordem a Moura Cavalcanti, o presidente passou, diante do governador, uma mensagem por rádio para um comandante militar, com a orientacao textual:
-Estudar a possibilidade de anexar ao Brasil a Guiana Francesa – se possível,pacificamente.

‘’Eu me recordo dos termos com exatidão ‘’- disse-me Moura Cavalcanti, numa entrevista gravada no Recife. Já abalado por uma doença renal que o materia meses depois, Moura Cavalcanti descreve, com detalhes, a cena surrealista que presenciou em Brasília, como testemunha e personagem, num dia de 1961:

GMN – Que ordens o senhor recebeu do presidente Jânio Quadros, em Brasília, em relação à Guiana Francesa ?
Cavalcanti : ‘’Quando o presidente Jânio Quadros analisou o processo de venda de manganês para os países estrangeiros, me deu a seguinte ordem : ‘’Defenda os interesses nacionais acima de qualquer outra coisa. A propósito : eu acho que chegou a hora de resolver definitivamente isso. Por que não anexarmos a Guiana Francesa ao território brasileiro ?’’.
GMN – Que reação o senhor teve ao receber esta ordem ?
Cavalcanti : ‘’Uma reação violenta. Primeiro,o seguinte : não tinha estrutura para agir como um conquistador. Não tinha sonhado em conquistar terras, nas minhas andanças por Macaparana(N: terra natal do ex-governador,em Pernambuco). Quando muito, tinha pensado em aumentar o meu engenho…Andei de um lado para o outro;f iquei confuso, evidentemente.E Jânio Quadros me disse : ‘’Sente aqui !’’. Eu me sentei junto ao telex. E ele passou um telex a um militar que, me parece, era o chefe do Estado Maior das Forcas Armadas’’.
(continua..)

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Jogando para a torcida: Malvinas

A segunda bandeira esquisita do topo é a da Ilhas Falklands ou Malvinas, dependendo do ponto de vista. Um pedaço de terra considerável no Atlântico Sul que fazia parte do itinerário dos navios franceses – por isso o nome Malvinas, e dos ingleses, por isso Falklands, em sua travessia para o Pacífico.

Apesar de um longo período de convivência entre argentinos e ingleses na ilha, o arquipélago fora objeto de desejo dos generais da ditadura militar argentina.

Eles queriam tomá-la com um duplo propósito:
- acender o nacionalismo, derrotando a Inglaterra e recuperando o que para eles era um pedaço legítimo de seu país e, com isso,
- desviar as atenções de seu povo para a grave crise social e econômica que se aprofundava.

Na gíria, os militares argentinos criaram um inimigo externo para “jogar para sua torcida”. O que conseguiram foi acabar com o jogo da ditadura em poucos dias de combate, graças a uma vitória acachapante das forças britânicas.

Em casa de ferreiro, espeto de pau

O prezado leitor pode estar estranhando a presença de pelo menos duas bandeiras na nova imagem do cabeçalho. E aqui vem a minha explicação sobre uma delas. A conhecida bandeira azul branca e vermelha que aparece no canto direito representa a Guiana Francesa, uma nação que é ainda, no século 21, (uma colônia) um departamento ultramarino da França. Sem dúvida, uma mostra de que os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade só serviram, na América do Sul, para impulsionar a fragmentação das colônias ibéricas. Nas colônias francesas, continuaram com mão de ferro. Em casa de ferreiro, espeto de pau

Retornando após dois anos e com cara nova!

A coisa mais comum em blogs é a sua curta duração. Alguns superam meses, outros anos, mas convenhamos, a prática de escrever no diário  virtual depende de fatores simples como tempo e paciência, coisas que nem sempre andam lado a lado, e outros digamos mais complexas como a audiência e a liberdade de expressão.

A pergunta que se faz é sempre esta: vale a pena gastar tempo com isso?

Acho que sim, na maioria das vezes, embora me falte tempo, sempre.

Os  blogs não são como os jornais, mas dão um certo trabalho. Procurar, selecionar e editar informações que julgo relevantes me toma tempo.Mas vale a pena. E é por isso que volto a escrever nesta página.

Espero compartilhar informações e opiniões relevantes sobre o nosso continente, fazendo com que este blog possa ser uma boa fonte de informação e de perspectivas diferentes sobre os assuntos que tocam a América do Sul.

Grande abraço,

Eduardo

Separatismo ou autonomia?

Amanhã, cerca de um milhão de  cruceños, como são chamados os habitantes do departamento de Santa Cruz, na Bolívia, decidirão o destino do Estado unitário boliviano. A possível aprovação do estatuto de autonomia de Santa Cruz pode causar um efeito dominó nos departamentos da media luna, que correspondem a 2/3 do território boliviano e concentram 60% do PIB do país. No próximo mês, Beni, Pando e Tarija realizarão consultas para definir se vão estabelecer autonomia em relação ao governo central. Em Chuquisaca e Cochabamba, a população também deverá ser consultada sobre a a descentralização.

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A Corte Nacional Eleitoral (CNE), o correspondente boliviano ao nosso Tribunal Superior Eleitoral, condenou a organização do referendo pela Corte Departamental Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral deles. A CNE não reconhece as cortes departamentais como competência para a organização do referendo e não disponibilizou o seu sistema padrão de contagem de votos.

 

 

 

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O Conselho Supremo de Defesa considera o estatuto de Santa Cruz uma ameaça à unidade nacional. Para a entidade, Santa Cruz passaria a ser um departamento autônomo sem o respaldo da constituição. Desta forma, não teria legitimidade para assumir funções do estado boliviano como prevê o seu estatuto.

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Leia aqui, na íntegra a versão final do estatuto.