Domingo é dia de eleição no Equador.
O sufrágio de amanhã pode se tornar a grande conquista do governo de Rafael Correa e a derrota da oposição liderada por Álvaro Noboa. O passo definitivo para a mudança do quadro político veio com o plebiscito de abril, no qual 81,72% dos equatorianos optaram por uma nova constituição.
Segundo uma pesquisa de opinião publicada no El Tiempo*, da Colômbia, o Movimento País, do presidente, deve obter a maioria absoluta dos votos, elegendo 71 deputados nacionais.A oposição acusa o governo de favorecimento na distribuição das verbas de publicidade, o que aumentaria ainda o desconhecimento do eleitor a respeitos dos candidatos oposicionistas, e de participação do presidente na campanha, o que facilitaria o voto na chapa governamental.
Mais de nove milhões de equatorianos escolhem os 130 integrantes da Assembléia Constituinte que escreverão a vigésima carta magna do país. São 3224 candidatos inscritos em 497 listas de onde sairão 24 representantes nacionais, cem das províncias e seis eleitos no exterior. (clique aqui para ver a cédula eleitoral) Não à toa, 36% dos equatorianos ainda estão indecisos.
Para a Cedatos/Gallup, que organizou a consulta, em meio a tantas opções, o eleitor fica tentado a votar na legenda em vez dos candidatos. Para ser eleito, o candidato não precisa estar filiado a partido político, pode se inscrever em um movimento cidadão. O regulamento da constituinte prescreve que homens e mulheres vão disputar o mesmo número de vagas. A idade mínima é de 20 anos e não há restrição de escolaridade. Apesar da facilidade de acesso à disputa, os principais candidatos à representação nacional são engenheiros, advogados, economistas e médicos.
O congresso equatoriano passa por uma crise de representatividade e um forte desgaste com os outros poderes. Em março deste ano, os congressistas aprovaram a destituição de Jorge Acosta, juiz do Tribunal Superior Eleitoral do país. Em resposta, ele ordenou a cassação de 57 deputados que se opuseram ao projeto constituinte de Correa. A decisão dos deputados foi considerada inconstitucional, mas a de Acosta estava dentro da legalidade. Nesta semana, Correa voltou a falar da intenção em dissolver o congresso após a eleição de domingo.
*O estudo foi publicado na Colômbia por que, de acordo com a legislação equatoriana, é proibida a divulgação de pesquisas de voto em época de eleição.
Para quem interessar, eis o vídeo explicativo, em espanhol, do TSE equatoriano.
Eis a cédula e os candidatos. Tirando a visão um pouco confusa, já que estamos acostumados às urnas eletrônicas, a falta de conhecimento sobre os candidatos não é mérito do sufrágio equatoriano. Aqui no Brasil, a indecisão é comum na véspera de eleição.