São poucas as vezes que o Suriname sai na mídia. No mês de fevereiro, a Folha de São Paulo publicou uma reportagem sobre nosso vizinho meio holandês, coisa raríssima nos jornais brasileiros. Meio holandês porque o Suriname é um quebra-cabeça de gente de tudo quanto é lugar: africanos, chineses, indianos, javaneses, holandeses, indígenas e por aí vai. Noves fora ter sido uma matéria sobre turismo, ela trazia o título: “No norte da América do Sul, o Suriname existe sim”.
Em março, o New York Times publicou uma reportagem sobre a variedade étnica e lingüística do povo. O repórter Simon Romero explica a torre de Babel que é o país. O surinamês criolo, sranan, é o idioma praticado nas ruas, enquanto o holandês dos colonizadores é o oficial. Além disso, são falados o javanês, chinês e uma dezena de línguas, entre elas, cada vez mais o português.
Os brasileiros, boa parte garimpeiros, se instalam a partir da fronteira e já são mais de um décimo da população de 470 mil habitantes. Não arredam pé de falar a língua de Camões. É a partir deles que temos uma ou outra notícia sobre o Suriname. Vale a pena ver este vídeo sobre os nossos patrícios nas terras do norte, feito pela BBC.
Quando escrevi minha monografia de conclusão de curso, em 2006, eu preparei um pequeno capítulo sobre como os jornais tratavam o Suriname. Das observações que fiz, uma era de que os jornais brasileiros não se interessam muito pelos seus vizinhos, a não ser que estes tivessem alguma relação com a política externa brasileira e norte-americana. A outra é que a questão do idioma serve como uma fronteira ‘natural’ do Suriname com os demais países da América do Sul. Faça um teste e leia os jornais e blogs de lá: Der Ware Tijd Sranan News
Para quem se interessa por esta temática no jornalismo vale ler o artigo “O Encadeamento Informativo da América latina – Derivações de um estudo da imprensa internacional na região”. Artigo do livro A informação na nova ordem internacional, organizado por Fernando Reyes e publicado pela editora Paz e Terra em 1980.
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