A polícia peruana prendeu hoje Jésus Sosa Saavedra, acusado de ter participado de ao menos 37 crimes pelo grupo Colina. O ex-subtenente do exército, que está foragido há sete anos, foi preso sem resistência. Sosa era conhecido como Querosene, por ter o hábito de queimar o corpo de suas vítimas para evitar posterior identificação, como informa o El Comercio.
A prisão de Sosa ocorre em um momento especial do julgamento do ex-presidente Alberto Fujimori. El Chino está sendo julgado por violação dos Direitos Humanos nos massacres em Barrios Altos e La Cantuta, onde morreram 25 pessoas. A grande questão que se coloca é se Fujimori sabia ou não da existência de um grupo de extermínio. Agora Sosa deverá ter testemunha-chave para a solução do caso.
Por sinal, amanhã se completam 16 anos do autogolpe praticado por El Chino. Em um documentário de TV, filmado quando ainda estava no Japão, ele justifica o rigor de seu governo com estatísticas. O ex-presidente alega que 25 mil pessoas morreram devido ao terrorismo do Sendero Luminoso e da MRTA. Mas a repressão foi também forte para guerrilheiros e a população em geral.
Fica difícil compreender como um presidente como Fujimori não sabia da existência do Colina. Seu controle sobre o aparato repressivo era diferente dos demais líderes da região. Em 1996, ele comandou pessoalmente a operação de resgate na embaixada japonesa em Lima, acompanhando as tropas no local e ganhou mais popularidade por isso. Todos os 72 seqüestradores e um refém morreram. Outros ex-integrantes do Colina já depuseram contra ele. Resta saber qual será a decisão da justiça.
Por enquanto, o principal envolvido com o grupo Colina é Vladimiro Montesinos, chefe da inteligência do governo Fujimori. É através dele que as investigações chegaram ao palácio presidencial, e por causa dele estourou o escândalo dos Vladi-vídeos – o início do fim da era Fujimori.
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