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Vale lembrar que, pela primeira vez em 61 anos, o partido Colorado pode deixar o poder no Paraguai. E que na história do partido, há a resistente mancha de fraudes em eleições. Resta saber se caso Lugo ou Oviedo saíam vencedores, o que farão para desmontar um partido que está tão entranhado no estado paraguaio. Talvez, nem mesmo Blanca Ovelar, candidata do governo, tenha a resposta.
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A eleição paraguaia será coberta por 130 repórteres estrangeiros e fiscalizada por 70 observadores da Organização dos Estados Americanos. Seja qual for o resultado, ainda será um pequeno passo para a mudança de nosso vizinho.
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Se estivéssemos na década de 1980, e alguém nos falasse que o Brasil seria governado por um sindicalista, a Bolívia por um índio, a Argentina e o Chile por mulheres, todos eles eleitos pelo povo, com certeza iríamos chacotear do aspirante a visionário. Mesmo que estes sejam exemplos bem superficiais de alternância de poder na América do Sul, servem para lembrar o que pode acontecer no Paraguai amanhã. Fica a frase solta que a democracia não é só o voto, mas a possibilidade de alternância e o respeito às minorias.
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Hoje, o diário Neike do Paraguai nos brinda com a notícia que policiais militares brasileiros teriam atravessado a fronteira para prender uma mulher em Pedro Juan Caballero. Máxima Martinez, comerciante de 70 anos, foi detida hoje de manhã, acusada de ser proprietária de um carro supostamente roubado no Brasil em 2004. De acordo com o diário, em nenhum momento os policiais tiveram o acompanhamento ou pediram autorização de seus pares paraguaios.
Outro jornal paraguaio, o Última Hora, explica que Martinez trabalhava em um ponto de venda de comestíveis a 15 metros do território brasileiro. A patrulha de policiais estava em solo paraguaio, pediu os documentos e checou que o carro era um veículo que havia sido roubado no Brasil. Eles a levaram para uma delegacia de Ponta Porã, no lado brasileiro.
De acordo com o UH, o vice-cônsul Javier Espínola, que acompanha o caso, não confirmou se a prisão ocorreu mesmo em território paraguaio.
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Os resultados mais recentes sobre as intenções de voto no Paraguai apontam que um ex-bispo lidera a corrida presidencial, seguido por uma educadora e um general de exército. A pesquisa feita a pedido do jornais ABC Color e La Nación, publicada ontem e quinta-feira reforçam a tendência.
Fernando Lugo conta com 36,8 % da preferência dos entrevistados pela pesquisa do La Nación e 33,6% pela do ABC Color. Lugo largou a batina em 2006 para levar adiante o movimento Tekojoja e sua candidatura à presidência. Se ganhar, seu grande desafio é fazer um governo de coalizão, uma vez que dificilmente terá a maioria do congresso. Para as mudanças que propõe, é a crônica anunciada de um balde de água fria logo nos meses iniciais de governo.
Blanca Ovelar é a primeira mulher presidenciável pelo tradicional partido Colorado. Ex-ministra da Educação, ela se impôs nas prévias ganhando de Luis Castiglioni, nada mais, nada menos que o vice presidente do país. Mas, fora o fato de ser mulher, o que muda no país se o Colorado mantiver seu domínio no governo, coisa que faz há pelo menos 60 anos? É o típico trocar o seis pela meia-dúzia; muda o gênero, mas continua a mesma coisa. Ovelar conta com 26,4% das intenções de voto pelo La Nación e 27,4% pelo ABC Color.
Lino Oviedo também já foi do Partido Colorado. Dali criou uma facção denominada União Nacional dos Cidadãos Éticos – UNACE, que é hoje a terceira força política no país. Oviedo não esconde a simpatia pelo Brasil, país onde viveu exilado, após ser julgado culpado pela morte do vice-presidente Luis Maria Argaña. Representou a oposição dentro do Partido Colorado, ganhou fama a partir do cárcere – onde escrevia seus artigos contra o governo – mas até que ponto haverá mudança crucial em seu mandato, caso eleito? Oviedo segue em terceiro, escolhido por 24,3% dos pesquisados do La Nación, número próximo ao registrado pelo ABC Color, 24,6% .
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A polícia peruana prendeu hoje Jésus Sosa Saavedra, acusado de ter participado de ao menos 37 crimes pelo grupo Colina. O ex-subtenente do exército, que está foragido há sete anos, foi preso sem resistência. Sosa era conhecido como Querosene, por ter o hábito de queimar o corpo de suas vítimas para evitar posterior identificação, como informa o El Comercio.
A prisão de Sosa ocorre em um momento especial do julgamento do ex-presidente Alberto Fujimori. El Chino está sendo julgado por violação dos Direitos Humanos nos massacres em Barrios Altos e La Cantuta, onde morreram 25 pessoas. A grande questão que se coloca é se Fujimori sabia ou não da existência de um grupo de extermínio. Agora Sosa deverá ter testemunha-chave para a solução do caso.
Por sinal, amanhã se completam 16 anos do autogolpe praticado por El Chino. Em um documentário de TV, filmado quando ainda estava no Japão, ele justifica o rigor de seu governo com estatísticas. O ex-presidente alega que 25 mil pessoas morreram devido ao terrorismo do Sendero Luminoso e da MRTA. Mas a repressão foi também forte para guerrilheiros e a população em geral.
Fica difícil compreender como um presidente como Fujimori não sabia da existência do Colina. Seu controle sobre o aparato repressivo era diferente dos demais líderes da região. Em 1996, ele comandou pessoalmente a operação de resgate na embaixada japonesa em Lima, acompanhando as tropas no local e ganhou mais popularidade por isso. Todos os 72 seqüestradores e um refém morreram. Outros ex-integrantes do Colina já depuseram contra ele. Resta saber qual será a decisão da justiça.
Por enquanto, o principal envolvido com o grupo Colina é Vladimiro Montesinos, chefe da inteligência do governo Fujimori. É através dele que as investigações chegaram ao palácio presidencial, e por causa dele estourou o escândalo dos Vladi-vídeos – o início do fim da era Fujimori.
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São poucas as vezes que o Suriname sai na mídia. No mês de fevereiro, a Folha de São Paulo publicou uma reportagem sobre nosso vizinho meio holandês, coisa raríssima nos jornais brasileiros. Meio holandês porque o Suriname é um quebra-cabeça de gente de tudo quanto é lugar: africanos, chineses, indianos, javaneses, holandeses, indígenas e por aí vai. Noves fora ter sido uma matéria sobre turismo, ela trazia o título: “No norte da América do Sul, o Suriname existe sim”.
Em março, o New York Times publicou uma reportagem sobre a variedade étnica e lingüística do povo. O repórter Simon Romero explica a torre de Babel que é o país. O surinamês criolo, sranan, é o idioma praticado nas ruas, enquanto o holandês dos colonizadores é o oficial. Além disso, são falados o javanês, chinês e uma dezena de línguas, entre elas, cada vez mais o português.
Os brasileiros, boa parte garimpeiros, se instalam a partir da fronteira e já são mais de um décimo da população de 470 mil habitantes. Não arredam pé de falar a língua de Camões. É a partir deles que temos uma ou outra notícia sobre o Suriname. Vale a pena ver este vídeo sobre os nossos patrícios nas terras do norte, feito pela BBC.
Quando escrevi minha monografia de conclusão de curso, em 2006, eu preparei um pequeno capítulo sobre como os jornais tratavam o Suriname. Das observações que fiz, uma era de que os jornais brasileiros não se interessam muito pelos seus vizinhos, a não ser que estes tivessem alguma relação com a política externa brasileira e norte-americana. A outra é que a questão do idioma serve como uma fronteira ‘natural’ do Suriname com os demais países da América do Sul. Faça um teste e leia os jornais e blogs de lá: Der Ware Tijd Sranan News
Para quem se interessa por esta temática no jornalismo vale ler o artigo “O Encadeamento Informativo da América latina – Derivações de um estudo da imprensa internacional na região”. Artigo do livro A informação na nova ordem internacional, organizado por Fernando Reyes e publicado pela editora Paz e Terra em 1980.
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